Etiqueta: galeria mundo fantasma

Free Comic Book Day 2024

Free Comic Book Day

Este ano — e daqui para a frente —, o nosso Free Comic Book Day será no último Sábado de Junho, este ano calha no dia 29. Podemos já confirmar a inauguração de uma nova exposição na Galeria Mundo Fantasma (organizada pela Turbina) e a segunda edição do Mercado do Contra (organizado pela Bedeteca e Gorila Sentado). Em princípio a programação estará integrada numa série de eventos a decorrer nos dias 28 e 29 de Junho no Shopping Brasília, a anunciar em breve. A atracção principal também não faltará — comics grátis.

Exposição Variantes — Uma Homenagem à BD Portuguesa

Variantes
Ilustração de Pedro Morais.


É o regresso da Galeria Mundo Fantasma de Ilustração e Banda Desenhada, desta vez pela mão da Turbina.
Criada em 2008, a programação da galeria é agora retomada no cumprimento do seu 15º ano de actividade, com nova exposição e apresentação de livros.

Inauguração Sábado, dia 25 de Novembro, às 17h00 com autógrafos e desenho ao vivo com a participação de desenhadores do projecto Variantes e outros convidados: Daniel da Silva Lopes, Daniel Silvestre, Esgar Acelerado, Gonçalo Varanda, José Manuel Saraiva, Marco Mendes, Paula Cabral e Paulo J. Mendes.

A Exposição

Depois de Matosinhos, Barcelos e Resende a exposição Exposição Variantes — Uma Homenagem à BD Portuguesa chega o Porto à nossa galeria.
Projecto resultante de um apoio no âmbito do Programa Garantir Cultura, a obra, editada pela A Seita e pela Turbina Associação Cultural, convidou uma série de autores nacionais a homenagearem uma obra de referência da história da BD Portuguesa
Variantes – Homenagem a BD Portuguesa começa desde logo com a descoberta de Bordallo Pinheiro como precursor de uma aventura com muitos nomes a destacar a partir daí. Mesmo enfrentando a difícil penetração num mercado que teima em não se abrir, apesar do reconhecimento internacional e prémios.

«Não nos interessa aqui elaborar uma análise crítica ou uma contextualização histórica profunda, mas não resistimos a fazer uma breve passagem pela sequência temporal do que tem vindo a luz em Portugal nesta arte, desde a célebre e inicial obra de Bordalo (…), e aquela que é seguramente uma das mais brilhantes obras nacionais na banda desenhada: Tu és a Mulher dos Meus Sonhos, Ela a Mulher da Minha Vida», explica-se no texto introdutório.

Mais do que um repositório histórico, esta proposta de homenagem é ela própria uma re-leitura, através de um percurso pelos autores e obras emblemáticas do passado, cujas pranchas escolhidas são recriadas por alguns dos desenhadores mais representativos das gerações actuais.

Autores Homenageados

Ana Cortesão, André, António Jorge Gonçalves, António José Simões, António Resende Dias, Arlindo Fagundes, Augusto Mota, Carlos Botelho, Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, Fernando Relvas, Isabel Lobinho, Janus, João Fazenda, Jorge Magalhães, José Carlos Fernandes, José Luís Duarte, José Paulo Simões, José Ruy, Júlio Pinto, Júlio Resende, Luís Louro, Miguel Rocha, Nelson Dias, Nuno Artur Silva, Nuno Saraiva, Pedro Brito, Raphael Bordalo Pinheiro, Raul Correia, Roussado Pinto (Edgar Caygill), Sérgio Luiz, Stuart de Carvalhais, Tito, Victor Mesquita e Vítor Péon.

Autores das Homenagens

André Caetano, André Pereira, Daniela Duarte, Fábio Veras, Francisco Nunes, Gonçalo Varanda, Jorge Coelho, José Smith Vargas, Madalena Abreu aka Hada, Marco Mendes, Marta Teives, Paula Cabral, Ricardo Baptista, Rita Alfaiate e Sofia Neto.

O Livro Inclui Textos de

André Azevedo, André Oliveira, Isabel Carvalho, João Miguel Lameiras, João Paulo Paiva Boléo, João Ramalho Santos, José Hartvig de Freitas, Júlio Eme, Marco Mendes, Margarida Mesquita, Miguel Coelho, Pedro Cleto e Rui Cartaxo.


Apoio à Exposição da Direcção Regional de Cultura do Norte / Ministério da Cultura

Variantes — Uma Homenagem à BD Portuguesa
de 25 de Novembro de 2023 a 7 de Janeiro de 2024

No Mesmo Dia Kingpin Books

A Fórmula da Felicidade
De Nuno Duarte e Osvaldo Medina.

 

Vinil Rubro
De Mário Freitas e Alice Prestes.

 

Há Quem Queira Que a Luz Se Apague
De Mário Freitas e Derradé.

Recebemos Alice Prestes, Derradé, Mário Freitas, Nuno Duarte e Osvaldo Medina, autores da Kingpin Books que fazem a apresentação das mais recentes publicações desta editora nacional: A Fórmula da Felicidade — Edição Integral, Vinil Rubro e Há Quem Queira que a Luz se apague.


Autógrafos

Quem não puder estar presente e desejar ter cópias assinadas por algum destes 13 autores, deve reservar o seu exemplar com essa indicação.

Macio e de folha dupla

Nesta vida, além da morte, só tenho como certo os impostos, as lesmas (se cuidassem de um jardim perceberiam num instante) — e os ingratos. Estes últimos, são menos que as lesmas, mas a par dos invejosos é do que mais se produz no país. No caso, nem é o pior desta comoção Covid-19, mas é seguramente o mais chato. Sempre com a mesma lenga-lenga, não renova o vocabulário mais ou menos desde o final dos anos 90 — o lixo, os bedófilos, indústria pop, educar, coleccionismo bárbaro, alienar, monocultura, círculo vicioso, zombies mensais (são vocês, estimados clientes), boicotar e sei lá que mais.

Banda desenhada de autor
Perspectiva actual da “monocultura”, “círculo vicioso” ou da “bibliodiversidade” na nossa livraria. Se existissse decoro, existiria.

A Mundo Fantasma (designadamente eu), não alertou “sobre o facto da distribuidora Diamond estar a encerrar a actividade”. A Diamond fechou os seus armazéns e o pessoal administrativo está a trabalhar em casa, à semelhança de meio mundo. A montante, as editoras deixaram de produzir, disseram aos autores de periódicos para pararem de escrever e desenhar (porque têm o hábito peculiar de lhes pagar pelo seu trabalho), as gráficas encerraram. A jusante, as livrarias estão… encerradas — ou a trabalhar como podem, tal como a nossa. Só não entende isto, quem não quer.
A partir daqui e neste momento, o que irá acontecer à Diamond e ao apelidado “mercado directo” é especulação. Não sei o que nos vai acontecer a nós, quanto mais aos outros. (Por acaso, tenho uma vaga ideia, mas sai do âmbito deste artigo.)

Portanto, começa com uma inverdade treslida no nosso site e continua com mentiras, ou estou mais em crer, ignorância, alimentada a alegre cegueira ideológica. O sistema Previews não chega a ser perverso, é o exacto inverso. É a diferença entre editar às cegas, ou editar com um determinado número de exemplares já vendidos. Para as livrarias especializadas é óptimo por esse e por pelo menos mais um motivo: ajudar a identificar o que encomendar para o mês, porque como podem ou não saber, não há devoluções como nas outras livrarias, temos obrigatoriamente de acertar. O que fica na prateleira pode parecer lucro aos olhos do Estado e de magníficos gestores de projectos falidos, mas o mais certo é ser prejuízo.

Gideon Falls
Gideon Falls de Jeff Lemire, Andrea Sorrentino e Dave Stewart, um dos comics editados graças aos “zombies mensais”.

As pré-encomendas, ao contrário do que este sobreeminente julga, não são efectuadas por “zombies mensais”, mas sim pelos nossos amigos e clientes, absolutamente livres de escolher onde querem gastar o seu próprio dinheiro. As editoras, em posse do número de exemplares já pré-vendidos decidem qual a tiragem final. Não é a Diamond que decide se distribui “porque não chegam ao número mínimo de pedidos” — isso nem sentido faz, porque não há pedidos antes do catálogo ser impresso, a decisão de distribuir foi anterior. A partir do momento que a Diamond aceita um projecto editorial novo para ingressar no catálogo Previews, distribui 100 exemplares ou 35.000. O editor é que tem de decidir se 100 exemplares são viáveis e quantos vai imprimir para além desses. É provável que não se tornem exactamente no almejado best seller. Também é provável que a distribuidora não repita a brincadeira, porque tem salários para pagar no fim do mês. Bastaria consultar o documento de submissão de títulos para distribuição (PDF).

On any given month, the top 5 publishers (Marvel, DC, Image, IDW and Dark Horse) make up approximately 80% of the comic books sold in the direct market. DCD services between 3000-3400 retailers on a given month and new publishers can expect their initial sales of their comic book to average between 1000 and 2000 copies while graphic novels will typically sell an average between 100-300 copies.

É esta a realidade e a verdade sobre este “monopólio” e “influência global”. Por outras palavras, qualquer editor português designadamente os das “grandes tiragens”, ou seja entre os 300 e 500 exemplares (inteirinhos) podem submeter livros para distribuição. Convinha, apesar de tudo, ler a secção “Before You Submit”, não vá o plano de negócios revelar-se fraco. E não esquecer que há conceitos completamente estranhos ao editor português — Does your company have a long-term publishing plan for content over the next 2 years? — long-quantos? O meu inglês não é assim tão bom.

Marcos Farrajota
Uma obra extraordinária, no melhor local do nosso balcão, rodeada de todo o tipo de “lixo” eclético. O inverso também será verdade.

Como uma anedota nunca vem só, este papa-fina conta mais algumas, como se percebesse alguma coisa de livrarias.
Segundo a homilia, “basta consultar as redes sociais das lojas portuguesas – das mais “comerciais” às mais “ecléticas” – para perceber que só comunicam para um tipo de leitor, o “nerd”, alienando todos os outros, num óbvio incentivo à monocultura de mais um chuto”. Por partes… e se for ao contrário? Se calhar são os editores da treta e de grande treta, que tratam os potenciais leitores por “zombies mensais”, que os “alienam” e os atiram para os braços dos super-heróis, sei lá!
Das mais “comerciais”, refere-se a duas. Às mais “ecléticas”, refere-se a uma — a Mundo Fantasma, sempre há um alvo, ou três. É um mercado enorme, um império, que vale a pena ser acusado, condenado e de preferência executado sumariamente. O timing também é perfeito, enquanto tentamos sobreviver, temos este ingrato às portas com os mesmo cheap shots dos últimos 20 anos, mas todo contentinho com “a queda do império americano” e naturalmente com ele próprio, deve ter o salário garantido.
Quanto à tal “monocultura de mais um chuto” — passando à frente a elegância da linguagem —, não o saberia reconhecer, porque nunca fumei nem tabaco nem qualquer outra coisa e nunca chutei nada que não fosse redondo e relativamente parecido com uma bola. Nos últimos 29 anos, o meu vício tem sido trabalhar, como muito bem sabe quem me conhece até superficialmente. Os nossos amigos e clientes não são viciados em nada que não seja a leitura saudável daquilo que escolhem comprar com o seu próprio dinheiro. Era o que faltava. Divinos educadores é noutras paragens e noutros regimes.

Este luzido sabe perfeitamente que são as tais cinco editoras que pagam tudo aqui — independentemente dos nossos desejos e gostos pessoais. Ainda acrescentamos as editoras de mangá, que transformaram uma livraria de clientela quase exclusivamente masculina, numa livraria onde as mulheres são quase 50% das visitas — que tal como os outros, adquirem livremente o que desejam. A causa da “diversidade de género”, ou o mangá como “bibliodiversidade”, sem educadores, imposições ou quotas, não parece interessar a estes videntes das quedas de impérios. Só eles sabem o que os outros devem ler.

Marcos Farrajota
Exposição de Marcos Farrajota em 2015 a ser apreciada por um eventual “zombie mensal”. Podia ter-se chamado “O Império Financia”.

Por exemplo, a nossa galeria, que durante 12 anos divulgou um sem número de autores (edição de 10º aniversário) em mais de 100 exposições e outros eventos, tem sido integralmente sustentada pelos super-heróis. Até a exposição do áureo artista chamado Marcos Farrajota, conhecido localmente pelo rasgo do traço e abundante utilização de delicadas metáforas, foi integralmente alimentada graças ao tal “império”. Não foi, de certeza absoluta, com a venda das publicações e opíparos originais do autor que se pagaram as despesas. Mesmo nos últimos anos, sob responsabilidade do atelier 3|3 (insuspeito de fazer parte do “círculo vicioso”), quem continuou a pagar todas as realizações foram os tais “zombies mensais”. É isso que nos permite ter a porta aberta, ponto final.
Se de vez em quando editamos um (Hitchhiker) ou outro livro (Cinzas), é aos mesmos que estamos agradecidos. Se nas prateleiras podemos ter milhares de livros (sim, milhares) que vendem um exemplar às vezes, é aos nossos amigos e clientes que estamos gratos. Esta livraria foi construída por eles e para eles. Não é para cicerones de causas perdidas que aqui não gastam um cêntimo, a quem compramos todos os livros que editam e ainda chateiam por cima. Arre-burro.

Obviamente que quem fala assim das livrarias dos outros, não é gago. Educadores deste gabarito começaram naturalmente pelo Robert Crumb e vieram sempre a descer por aí abaixo. Eu não. Comecei nos patinhas e foi sempre a subir por aí acima, Crumb foi para mim uma revelação — ninguém me “educou”, porque posso não perceber patavina de banda desenhada, mas sei do que gosto. E cada um é que sabe de si, mas se eu fosse leitor de banda desenhada e me chamassem “zombie mensal”, era menino para não comprar nada da associação Chili Com Carne ou da editora Mmmnnnrrrg (já falecida, naturalmente por causa dos “zombies mensais” e das livrarias) se hipoteticamente este cicerone fosse o responsável por essas edições. Em bom rigor, numa crise como esta, a banda desenhada não é um bem de primeira necessidade, como o papel higiénico. Se é para açambarcar, que seja macio e de folha dupla. É a minha opinião.