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Matéria Escura: Exposição de Filipe Abranches

Matéria Escura de Filipe Abranches

Por Pedro Moura. A expressão “matéria escura” nasce de um dos modelos vigentes da física para dar conta da matéria no universo, a sua massa, movimento, e expansão. Trata-se, portanto, acima de tudo, de um termo que ocupa a função daquilo que é ainda desconhecido ou das possibilidades efectivas de descrição, explicação e previsão. No fundo, mesmo que seja diferente da desusada teoria do éter, por estar agora ancorada em efeitos observáveis e mensuráveis, a matéria negra está ainda a ocupar um espaço de ignorância que se pretende ir apagando à medida que se fazem novas descobertas. H. P. Lovecraft tem aquela famosa frase de que “Vivemos numa ilha tranquila de ignorância no seio de mares negros de infinitude, e não está escrito que devamos viajar distantemente”, mas a atitude do escritor de weird fiction não era propriamente a da mente de um cientista, cujos passos são planeados e com o cuidado metódico que dita, logo à partida, a fortuna garantida. Garantida, pois um falhanço numa observação ou teoria é, em si mesmo, uma vitória também.

«Matéria escura», enquanto título de uma mostra da produção mais recente de Filipe Abranches, entre páginas de banda desenhada, alguma da qual inédita, e de ilustração editorial, menos ou mais próxima de colaborações textuais ou de companheirismos jornalísticos, dá também conta da própria exploração do artista. Em primeiro lugar, de todos os aspectos representativos, temáticos ou narrativos do que lança no papel, onde se conseguem vislumbrar pequenos fantasmas recorrentes a aliar trabalhos bem distintos (ecos de influências primárias revisitadas, o isolamento da figura, a teatralidade da iluminação noir, a violência indizível e mortífera sob o fino verniz social). Depois, a lavra da própria tinta na superfície, em que a destreza magistral do pincel e daquela particular matéria escura se mascara numa aparente facilidade do desenho. Finalmente, a talvez menos visível mas contínua, em toda a sua obra, criação de séries e uniões estilísticas.

É papel do visitante, então, ser o viajante-cientista deslocando-se cada vez mais longe na noite de Abranches, aproximando-se da matéria que mancha o papel para chegar à matéria que dele se desprende e adensa e agrega o seu universo.

Matéria Escura de Filipe Abranches

Matéria Escura de Filipe Abranches

Matéria Escura de Filipe Abranches

Matéria Escura de Filipe Abranches

Matéria Escura de Filipe Abranches
Filipe Abranches, Sama, Bruno Borges e André Azevedo.
Matéria Escura de Filipe Abranches.
Samplerman, Filipe Abranches e Claudio Martini da editora Zarabatana.

Data

Inauguração em 10 de Março de 2018

Outros links de interesse

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Filipe Abranches

Fotografias 5, 6 e 7 de Júlio Eme.

Colecção ZineFestPt

O ZineFestPt é o primeiro evento em Portugal a propor uma série de actividades conjuntas, com projecção nacional e internacional, acerca do universo zine, da micro-edição, da auto-edição e da publicação de livros de artista, arte postal e sobretudo de fanzines! Em 2016 dá-se início à Colecção ZineFestPt, mediante várias contribuições e doações de todos quantos desperta interesse e proximidade.

A actual exposição é a primeira mostra fora de datas do ZineFestPt a acontecer num espaço tão especial como a Mundo Fantasma, uma livraria e editora, com uma galeria de ilustração e banda desenhada, aberta a outras iniciativas e projectos editoriais.

Coleccionar zines, livros de artista e arte postal é um acto de procura e de encontro, é uma dinâmica de ligações de afecto, não é uma actividade elitista: pode-se fazer uma colecção do tamanho do bolso de cada coleccionador. Para além disso estamos a falar de publicações que contêm em si esta vontade de participar e acolher, de agitar e dar a experimentar a todos, de modo independente e irreverente, o que se pensa e se faz na cultura artística e alternativa à edição do mercado de consumo de massas. Há colecções de todos os géneros e feitios, tal como há zines de todas as formas e tamanhos, e há livros de artista de páginas soltas e livros objectos, há palavras que gostamos de ter na mão e há imagens que apreciamos ver diante dos olhos, mas em papel, sim, em papel.


Exposição ZineFestPt

Exposição ZineFestPt

Exposição ZineFestPt

Exposição ZineFestPt

Exposição ZineFestPt

Exposição ZineFestPt

Exposição ZineFestPt

Exposição ZineFestPt

Exposição ZineFestPt


Data

Inauguração em 11 de Fevereiro de 2017

Links de interesse

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As fotografias são de Júlio Moreira, excepto a 1, 7 e 8.

Elipse de Sofia Neto

Há uma mulher que escapa, contrariando aquela imagem do Tempo em que se vê uma mão agarrar o cabelo daquela que foge. A história escapa com ela e pode ser contada com variações. Andamos entre nevoeiro, no mar alto e nas suas profundezas, numa pequena caverna arrastados por Cassandra, pelas salas nocturnas de um museu de história natural, por um túnel sem saída ou na noite escura. Andamos distraídos, talvez desorientados, até nos apercebermos que estivemos em síncope. O trabalho é este: agarrar o tempo.1


Elipse

Elipse
Sofia Neto.

Elipse

Elipse


Data

Inauguração em 12 de Março de 2016


As fotografias são de Júlio Moreira.

  1. Texto de Daniel José []

Sofia Neto

Sofia Neto
Na inauguração da exposição Elipse.

Sofia Neto nasceu em S. João da Madeira em 1989. Publicou em 2014 uma tira de ficção científica A Ronda no Jornal Único. Em 2014 participou na publicação QCDA#2000 pela Chili Com Carne e em 2015 na publicação Malmö Kebab Party pela Chili Com Carne em parceria com a Ruru Comix. Em 2015 viu a publicação Down Below ser editada pela Mundo Fantasma e em 2016 Eco, pela mesma editora. Coedita a revista Carne e Osso com Marco Mendes desde 2015.

Exposição

Elipse