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Quadradinhos

Quadradinhos

Quadradinhos
Pedro Burgos.
Quadradinhos
João Fazenda.
Quadradinhos
Filipe Abranches.
Quadradinhos
José Smith Vargas.
Jorge Coelho.
Jorge Coelho.

Quadradinhos é o catálogo que surgiu da exposição dos portugueses no Festival de Treviso deste ano. Está um livro muito bem editado, com uma pequena história da banda desenhada portuguesa, da autoria do comissário da exposição Alberto Corradi. Marcos Farrajota fez a ponte, escreveu o prefácio e uma espécie de posfácio turístico onde elogia imenso a vossa livraria predileta.
A selecção parece-me magnífica, Nuno Saraiva, João Fazenda, José Smith Vargas, Ana Biscaia, Francisco Sousa Lobo, Afonso Ferreira, Pedro Burgos, Filipe Abranches, Miguel Rocha, Joana Afonso, Jorge Coelho, André Coelho, Pepedelrey e Rudolfo. As historietas estão em italiano, mas isso não é impedimento para adquirirem por apenas 15,00€ este belo livro e documento de 88 páginas. A edição pertence à Mimisol Edizioni e à Chili Com Carne.

Treviso Comic Book Festival 2014

TCBF 2014

Portugal é o país convidado para o Treviso Comic Book Festival (ou Festival Internazionale di Fumetto e d’Illustrazione), a acontecer entre 24 e 28 de Setembro. Importante festival de Banda Desenhada que graças ao comissário Alberto Corradi (também autor que foi publicado na antologia Mutate & Survive da CCC) tem estado atento às recentes edições italianas de livros dos portugueses Filipe Abranches (História de Lisboa com argumento de A.H. de Oliveira Marques), Pedro Burgos (Airbag) e João Fazenda (Tu És a Mulher da Minha Vida, Ela a Mulher dos Meus Sonhos com Pedro Brito), autores que estarão presentes no evento.
A exposição com originais Quadradinhos: sguardi sul fumetto portoghese contará com 14 artistas nacionais como Filipe Abranches, Joana Afonso, Ana Biscaia, André Coelho, Jorge Coelho, João Fazenda, Afonso Ferreira, Francisco Sousa Lobo, Pedro Burgos, Pepedelrey, Miguel Rocha, Rudolfo, Nuno Saraiva e José Smith Vargas. Estará patente no Spazi Bomben / Fondazione Benetton, inaugurando dia 27 de Setembro e estará patente até 12 de Outubro.
De realçar que haverá um catálogo bilingue (italiano e inglês), co-editado entre a MiMiSol e a Chili Com Carne, que inclui um prefácio de Marcos Farrajota, uma eficiente História da BD portuguesa por Corradi e BDs dos autores participantes na exposição, e em alguns casos com textos de outros autores — Biscaia com texto de João Pedro Mésseder, Rocha com Susana Marques, Afonso com André Oliveira e Jorge Coelho com Paul Allor. O catálogo teve o apoio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e do Instituto Português da Juventude e Desporto.

Produção gráfica #2

Filipe Abranches
Detalhe de um desenho de Filipe Abranches no livro “Fitz…”, editado pela Ao Norte em 2009. O traço está completamente pixelizado tendo perdido todas as suas características.

A resolução a utilizar nas imagens a publicar com impressão em offset (Wikipedia) é um conceito muito simples, mas que infelizmente por algum motivo escapa a autores, editores, designers e gráficas.
O mais vulgar é ser medida em dpi (Dots Per Inch, ou pontos por polegada) e deve ser escolhida adequadamente de acordo com o tipo de imagem e papel utilizado.

Imagens a cores ou cinzentos

Tratando-se de imagens a cores ou cinzentos, é um valor directamente relacionado com o número de linhas a que vai ser impresso o trabalho, lpi (Lines Per Inch, ou linhas por polegada). A relação é muito fácil de decorar: 2x.

Consideremos a situação mais vulgar, um livro impresso a 150lpi — as imagens a cores ou cinzentos terão de ter uma resolução de 300dpi no tamanho final para uma qualidade óptima. Esta relação de 2x é por uma razão matemática fora do alcance deste artigo explicar. Pelo mesmo motivo matemático, se as imagens tiverem mais resolução apenas consomem mais recursos sem rigorosamente nenhum acréscimo de qualidade; se tiverem menos resolução, o trabalho não terá toda a qualidade que poderia; se tiverem muito menos resolução, as imagens aparecerão pixelizadas (aos quadrados) e mais vale estarem quietos.

Esse efeito de pixelização pode ser visto na primeira fotografia. Toda uma cadeia de produção falha quando o resultado é este, o autor devia ter enviado imagens com resolução suficiente (pode ter enviado, mas o livro ter sido paginado com imagens de baixa resolução), o designer devia ter verificado a resolução das imagens, o editor devia ter visto provas e detectado o desastre e por fim, se por algum motivo ninguém viu nada, algo como este resultado nunca poderia ter escapado à gráfica, logo na fase dos fotolitos (para não dizer antes), muito antes da impressão.

Pedro Burgos
Balonagem de Pedro Burgos no livro “Europe 1:20´000´000” editado pela Kabinett.
Fernando Relvas
Exemplo de balonagem manual de Fernando Relvas no livro “L123” editado pelo SIBDP em 1998.
Joe Sacco
Exemplo de balonagem por computador no livro “Palestina” editado pela MaisBD/Mundo Fantasma/Devir em 2004.

A relação entre LPI e DPI é muito fácil de decorar: 2x.

Como referência podem utilizar a seguinte tabela, tendo em conta que existem milhares de qualidades e variantes de papel. Uma boa gráfica pode e deve aconselhar o número de linhas a imprimir, mas muitas julgam que quanto mais linhas mais qualidade o que não é verdade. Por exemplo, imprimir a 150lpi em papel de jornal é uma receita para o desastre, pois esse papel é altamente poroso e os pontos demasiado juntos acabam por crescer e aglomerar-se (entupir, no jargão gráfico) e todo o detalhe da imagem é perdido.

Imagens a cores ou cinzentos
Papel lpi dpi
Jornal 90 180
Tipo fotocópia 133 266
Mate (bom) 150 300
Brilhante (bom) 175 350

A banda desenhada dificilmente beneficiará de uma impressão a mais de 175lpi (200lpi e mais, utilizada um livros de fotografia de alta qualidade e obras do género).

Imagens a preto

Não confundir com as imagens acima que têm uma gama de tons de cinzento. Aqui tratam-se de imagens em que apenas existe preto e branco, somente esses dois valores. Estas imagens têm de ser tratadas de uma forma completamente diferente. São digitalizadas em bitmap com o máximo de resolução óptica disponível até 2540dpi no tamanho final1. Mais resolução não vale a pena por dois motivos: Primeiro o olho humano já não distingue a diferença, segundo e não é por coincidência, trata-se da resolução máxima processada pelos RIP. É aceitável uma resolução até um mínimo de 1200dpi, menos do que isso e começam a ser visíveis “escadas” no traço e lá se vai a subtileza.

Pedro Burgos
Balonagem de Pedro Burgos no livro “Airbag e Outras Histórias”, edição MaisBD/Mundo Fantasma.

Claro que a balonagem de material a cores ou a cinzento apresenta o seu próprio conjunto de problemas, pois temos a necessidade de uma resolução para as imagens e de outra para o texto. Tentarei explicar isso num artigo futuro, entretanto se tiverem dúvidas, coloquem-nas nos comentários responderei o melhor que souber.

  1. Esta regra não se aplica à maior parte da chamada impressão digital, que não passa de fotocópia mais elaborada que antigamente. Uma resolução habitual neste processo é 400dpi e sendo o máximo disponível, não há milagres. []