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Da perspectiva de um colorista: Apagado

Conan the Barbarian
Conan the Barbarian de Roy Thomas, John Buscema e C. Bunkers. Publicado originalmente em 1974 e a reedição de 2019.

O legado dos grandes colorista das épocas de ouro, prata e bronze dos comics americanos está a ser sistematicamente apagado pela forma descuidada como esses comics são re-coloridos e reeditados, maioritariamente pelas editoras principais. Isto é particularmente infeliz para os artistas que coloriam o seu próprio trabalho como Barry Windsor-Smith, Neal Adam, Tom Palmer ou Klaus Janson. E ainda mais para mulheres pioneiras como Glynis Wein e Marie Severin que coloriram com sensibilidade uma miríade de histórias de banda desenhada. As cores berrantes das reedições não representam de forma nenhuma a aparência que estes comics pretendiam. Destoem a harmonia cromática e eliminam a ambiência. É uma vergonha e no entanto estamos neste pé.

Daniel Maia

Autor de banda desenhada, editor independente e ilustrador publicitário, irá marcar presença na primeira edição da Comic Con Portugal, que irá ter lugar entre os dias 5 e 7 de Dezembro, na Exponor, em Matosinhos.

É sem dúvida um dos desenhadores nacionais mais completos, com um estilo gráfico que assenta num invulgar conhecimento da figura humana, num domínio muito acentuado do espaço positivo e negativo do desenho, numa facilidade em captar expressões faciais credíveis e no arrojo com que cria os layouts de página, onde muda a “câmara” conforme pede a narrativa, sejam em pequenos ou grandes planos, energia essa que capta a atenção continuada do leitor.

Admirando e seguindo desde cedo o trabalho de Mike Mignola, Sergio Toppi e Barry Windsor-Smith, são autores como Alan Davis, Kevin Nowlan e Bryan Hitch que podemos encontrar como referências no modo detalhado como Daniel Maia finaliza a tinta-da-china os seus próprios desenhos, tendo vindo a tornar-se um desenhador com todas as características para se estabelecer no competitivo mercado norte-americano de comics, onde de resto foi tendo já pequenas colaborações com diversas editoras independentes, chegando mesmo a ser seleccionado em 2008 na ChesterQuest, uma busca de talentos mundial da Marvel Comics coordenada pelo editor CB Cebulski.

X #11

X #11

X #11

X #11

Desvios de percurso têm impedido a sua afirmação a nível internacional, mas este ano o primeiro passo já foi dado: Após se ter associado à agência Chiaroscuro Studios, foi o autor convidado para desenhar o #11 de X1, a série escrita por Duane Swierczynsk e publicada pela Dark Horse, sobre um vigilante mascarado que dispensa justiça de forma violenta na decadente Arcádia, matando criminosos que passam ao lado da Lei. Os resultados excederam as expectativas com a arte-final do veterano Mark Pennington a dar um polimento “comicbookiano” às excelentes páginas desenhadas a grafite com um elevado nível técnico. Agora resta encetar um maior ritmo de trabalho e as oportunidades seguramente irão aparecer.

Brevemente o autor irá publicar O Infante Portugal em Universos Reunidos, um fanzine/comic com argumento de José de Matos-Cruz, desenho do próprio Daniel Maia (com Susana Resende), arte-final de Daniel Henriques e com a participação especial dos mestres José Garcês e José Ruy. Esta aventura isolada adaptará à banda desenhada as personagens da saga d’O Infante Portugal (Apenas Livros, 2010-2012), trilogia de prosa por José de Matos-Cruz, ilustrada por dezenas de autores nacionais, cujo último livro “As Sombras Mutantes”, contou predominantemente com desenhos de Maia.


André Azevedo escreve habitualmente no blogue A Garagem.

Agradecemos ao Daniel Maia a simpatia e a disponibilização das imagens.

  1. Publicado em Março deste ano e compilado no X Vol. 3: Siege []