From Arte

Elipse de Sofia Neto

Há uma mulher que escapa, contrariando aquela imagem do Tempo em que se vê uma mão agarrar o cabelo daquela que foge. A história escapa com ela e pode ser contada com variações. Andamos entre nevoeiro, no mar alto e nas suas profundezas, numa pequena caverna arrastados por Cassandra, pelas salas nocturnas de um museu de história natural, por um túnel sem saída ou na noite escura. Andamos distraídos, talvez desorientados, até nos apercebermos que estivemos em síncope. O trabalho é este: agarrar o tempo.1


Elipse

Elipse
Sofia Neto.

Elipse

Elipse


Data

Inauguração em 12 de Março de 2016


As fotografias são de Júlio Moreira.

  1. Texto de Daniel José []

Intervalos, Lacunas e Imagens em Falta

Nuno Sousa

Com um conjunto de desenhos — esboços, diagramas, apontamentos — Nuno Sousa apresenta um projecto sobre a sua própria família. Num contexto onde praticamente não existe espólio documental (ausência de fotografias de família) o autor desenvolve um projecto centrado nas memórias dos seus familiares mais próximos e onde os seus relatos se misturam com a sua própria interpretação desses relatos.
O projecto desenvolve-se a partir da história de um antigo palacete (entretanto já demolido ) situado na Rua Conde Alto Mearim, onde os seus avós, mãe e tios viveram.
E é através destas imagens dispersas, destes fragmentos e estilhaços de memórias individuais e colectivas que Nuno Sousa lança as pistas e as pontes para o que pretende que seja a sua próxima narrativa gráfica.

Durante cerca de trinta anos, os meus avós paternos, assim como a minha mãe e meus tios, viveram num palacete do séc. XIX em Matosinhos, antiga propriedade do Conde de Alto Mearim, junto ao mercado municipal. O meu avô era na altura vigilante do armazém de uma empresa de exportações que tinha comprado o palacete uns anos antes. De um modo particularmente irónico, a minha mãe e os meus tios, que sempre viveram no limiar da pobreza e não tiveram a possibilidade de estudar, viveram durante a sua infância e adolescência num palacete (mais propriamente, num anexo do palacete, mas tendo acesso a todo o terreno da quinta e a parte do edifício principal) onde décadas antes havia vivido um conde e a sua família. O edifício foi entretanto demolido em 1973, tendo a minha família passado a habitar um aparta- mento perto do local.

Alguns anos mais tarde, aperceberam-se de que não possuíam fotografias do edifício, sendo que até hoje não se conseguia encontrar nenhuma imagem com suficiente definição que pudesse documentar como tinha sido o palacete. As únicas imagens encontradas provém de registos fotográficos aéreos do porto de Lei- xões, onde o referido palacete é visto muito ao longe, perdendo-se no meio do arvoredo que o circundava. As histórias passadas nesse espaço, assim como a curiosidade da desproporção entre o nível económico de vida dos seus habitantes e a grandiosidade do local, marcaram, até aos dias de hoje, as gerações de familiares que não chegaram a conhecer o edifício.


Intervalos, Lacunas e Imagens em Falta

Intervalos, Lacunas e Imagens em Falta

Intervalos, Lacunas e Imagens em Falta

Intervalos, Lacunas e Imagens em Falta

Intervalos, Lacunas e Imagens em Falta


Data

Inauguração dia 2 de Maio de 2015

Links de interesse

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